Por Alane ReisSobre Felicidade
Felicidade, atualmente onde a encontr... um momento, é tão clichê começar um texto com o nome de um sentimento, e até vira novelinha das oito quando a palavra em questão é seguida de um advérbio de tempo que remete ao presente. Mas espere um pouco, eu vou falar de sentimentos, não existe nada mais clichê, além do mais, novela das oito sempre é sucesso de audiência, de qual quer forma, começarei de novo.
No meio das inúmeras revoluções (tecnológica, econômica e cultural) que passaram pelo mundo, os valores vem sendo reformulados, ficando uma dúvida em mim: Hoje qual é nosso o ideal ocidental contemporâneo de felicidade? Fazendo essa pergunta a maioria das pessoas da minha idade, provavelmente irei ouvir respostas do tipo "Ser feliz é ter um namorado(a) bacana, aquele(a) com o corpo legal, que me leve a lugares, eh... legais né?", ou "É ir pras melhores baladas, pegar geral, curtir com os brothers, e tomar tooodas", ou "É ter dinheiro pra fazer o que quiser", uns mais conscientes irão responder "Sucesso profissional meu bem, isso é felicidade". Há uns dias eu venho pensando nisso, no que é ser feliz, e olhando em volta, percebo que o nosso modelo "happy life" vem se construindo em cima de capital acumulado agregado a relações efêmeras.
Mas espere um pouco, eu faço parte dessa geração fútil que cútua o corpo, o dinheiro e vive de sexo casual. Será que eu estou sendo hipócrita? Não, não, tsc, um texto inteiro pra reescrever. Vamos por partes. Balada? Eh... é bom, encher a cara também, quem não gosta de enfiar o pé na jaca de vez em quando? As vezes é até necessário, mas a longo prazo, hunmm! Não tem organismo que aguente. Agora, assim, dinheiro é bom, e traz felicidade sim, dinheiro só não traz felicidade pra quem não tem, mas o meu luxo, o meu desperdício, o meu carro, e o meu celular novo todo ano, valem a degradação do meio ambiente e a pobreza extrema de milhões de pessoas? Não, COM CERTEZA NÃO. Pulemos pra outro ponto, sexo... humm, sexo é bom, muito bom, e não tem contra indicações, é bom de cima, de baixo, de lado, de quatro, de três, de dois, na falta vai até de um, mas com o tempo fica vazio, e a gente sente falta de algo que não sei o quê (ow sejamos sinceros, fingimos não saber). Pronto então, felicidade é sucesso profissional mesmo, e como isso é bom, te dá aquele ar de superioridade, típicos dos insuportáveis, dos bem sucedidos, dos que fizeram por onde... mas no fim? ... bem lá no fim, quando a maricona (gíria de povo de teatro, pra falar dos gênios que já não trabalham) estiver velha, na sua casa imensa, seus inúmeros livros e discos, é só por amor, que irá - se dormir e chorar ao lado da garrafa de vodcka, russa de preferência, ao som de um MPB dor de cotovelo, ou daquele Jazz que enlouquece, é só por amor que a lágrima escorre, só por amor, e quem nega. Mente! A audiência da novelinha das oito, tá aí pra comprovar a minha tese.
E por aí, de onde vem a felicidade??