Poesias - Notícias - Politicagem - Comportamento - Cultura - Sexualidade - Assuntos Sérios - Bobagens Necessárias - e Tudo Mais Que Eu ou Vocês Queiramos Falar - Tudo isso abordado com discontração e irreverência, às vezes de modo requintado e às vezes com linguagem totalmente escrachada. Participem das discussões, proponham assuntos pra novos posts, e não façam cerimônia, porque aqui a gente fala Do Que Quiser Falar .

domingo, 26 de setembro de 2010

Em defesa dos direitos da mulher


"Quando uma mulher é assassinada, estuprada, humilhada... todas nós somos também. É o feminino que é mais uma vez é agredido, é o femino que é mais uma vez julgado e condenado. O feminino é mais uma vez destituído do seu poder. Todas nós perdemos e somos feridas"

Mulheres do mundo unidas em prol da igualdade de gênero.

domingo, 19 de setembro de 2010

Olhares estranhos que se cruzam

Por Alane Reis
Um conto sobre família, valores, ideais e amizades inesperadas.


Estavam sentados no bar, rotina se verem aos sábados, ele sempre ia na cidade que ela morava antes de voltar pra casa, ela descia e o encontrava na praça. Não havia motivo específico numa amizade como esta, nenhum interesse, nenhuma afinidade cronologicamente construída, apenas uma compatibilidade estranha e uma cumplicidade comum àqueles subversivos.

Confuso, conheciam- se a vida toda, e no ano corrente foram apresentados. Riam sinceros. É fato, nenhuma cama de motel é tão eficaz em desnudar vergonhas e pudores quanto uma mesa de bar. Entre uma cerveja e outra, cada palavra compartilhada parecia um delito, mas tudo era tão puro, quase sagrado. Há uns anos atrás ela jamais pensara em mater uma relação sequer parecida, ele ao contrário, sempre enxergara na prima adolescente a mulher que se tornaria, que se tornaste.

Jhone beirava os 30, hoje era um pai de família, detententor da responsabilidade de gerir um lar. Conseguira o respeito entre os pais, primos, tios e tias, não sabe ainda se fora o filho, o casamento, o trabalho ou a juventude transviada que largaste para assumir as responsabilidades de homem. Já não era a "ovelha negra", timidamente passava à prima esse cargo.

Lara, quase 20 anos, já foi o orgulho da família, hoje possui hábitos estranhos. Ainda assim, saiu de casa aos 18, mudou pra uma cidade vizinha a que seu pai era oriundo, e moravam os seus parentes, dividia casa com amigas e estudava pra ser jornalista, não era muito de conversar, não nas reuniões familiares. Ela era diferente, todos sabiam disso, só não entendiam ao certo no quê. O pai se orgulhava, a mãe tinha medo.

Jhone e Lara, aos próprios modos viviam fugindo, foi a forma que encontraram para não perderem-se de si mesmos. Ele tinha o emprego perfeito, de segunda a sábado trabalhava numa cidade distante, sábado a noite ia vê-la, e de lá seguia de volta pra casa. Ela havia se mudado da casa dos pais, a universidade era como um mundo paralelo. Mesmo estando a uns 15 km de onde vivia a família de seu pai, era bom se sentir sozinha.

Sábado após sábado, a intensidade daquilo ia aumentando, o machismo regente da família em que vinham não tinha voz nessas conversas.
“Jhone não concordo com traição, por que você faz isso com sua mulher?”
“Lara, dê pra quem você quiser, sexo é bom, mas só com camisinha.”
“Sério Jhone? Você já usou todas essas coisas? Hoje você podia tá trabalhando pro Manassés, rsrs”
“Lara, você sabe que tem gente que acha que você é sapatona, isso não te incomoda não?”

Duas gerações da conservadora família católica. O que pensariam se os vissem ali? O homem casado no bar, sozinho com a prima. E por sinal, desde quando menina direita anda em bar? Ainda mais com homens casados... Que se foda o moralismo!Ele via nela um refúgio, ela via nele um confidente.

Almoço de domingo, motivo para falar da vida dos outros, estão todos da família. A prima que aos 20, recém casada. O primo pegador, socialmente apresenta a namoradinha virgem, ela quer ser enfermeira. A tia que já curtiu a vida, um dia foi “puta”, hoje mãe de família, dá lição de moral aos sobrinhos. O primo homofóbico, fuma unzinho de vez em quando, e longe de casa tem uns amigos viados. O primeiro filho, o irmão mais velho, o tio mais respeitado, pai de família, bom para esposa, é bom também em manter amantes sem que se saibam.

No encontro de mentirosos, falam do filho de Ciclaninho com Beltraninha que tem amigo vagabundo e colocou uma tatuagem. É culpa da mãe. Claro! Ela que não soube criar o filho... Enquanto isso, em cantos distintos da sala eles estão sentados, o ex porra louca, que hoje é pai de família, e a menina que já foi ideal mas agora anda com um cabelo pra cima e tem uns amigos com conduta moral reprovável. Os olhares se cruzam. Estranho... mal se cumprimentaram. Eles dispensam um do outro beijos na testa e palavras educadas.

Fotografia: Lasar Segall, Família; João Wener, Mesa de bar.

domingo, 29 de agosto de 2010

A juventude contemporânea, pelos olhos de uma jovem universitária da classe média baiana

Uma atividade acadêmica
Por Alane Reis

Fulana de Tal possui características comuns a inúmeros outros jovens da sua idade, gosta de assuntos que envolvam cultura e arte, e não resiste a conversas prolongadas em mesas de bar na companhia dos amigos, aos 19 anos, cursa a faculdade de comunicação social e experimenta pela primeira vez a sensação de morar fora da casa dos pais. Nascida em Salvador, a jovem reside atualmente em Cachoeira, cidade do recôncavo baiano, em que estuda.

Ao contrário da maioria das pessoas de sua faixa etária, a estudante não gosta de baladas de música eletrônica, acredita que a geração “emocore” é um insulto ao rock primordial, e apesar de ser fã da cultura popular, defende que a maioria das letras do chamado “pagode baiano” só reproduzem discursos discriminatórios de minorias historicamente reprimidas.

F. brinca e diz sofrer de velhice precoce, se explica dizendo que faz parte do grupo dos hippies pós-modernos, jovens contemporâneos carentes de ideais e personagens atuais do âmbito cultural engajados em causas políticas e sociais. Também chamados de netos do Woodstock, esses jovens costumam fazer parte das classes médias, estudam e trabalham, mas por se identificarem com os gostos e estilos de vida dos primeiros hippies da década de 60, ressuscitam heróis de seus pais e avós.

A estudante não escuta quase nada que surgiu depois do início dos anos 90, e se diz decepcionada com a sua geração: “Nós não lutamos por nada. A revolução digital nos entope diariamente com um turbilhão de informações, e nossos jovens silenciam as desigualdades, os preconceitos, os políticos corruptos e a degradação ambiental. Estão mais preocupados com a foto do perfil do Orkut ou em não repetirem roupas na balada”.

Filha de Beltrana de Tal, e Ciclano de Tal, oriundos de uma cidade do interior, e a 40 anos residentes da capital baiana. F. diz que às vezes fica chateada dentro da própria universidade, quando ouve de colegas, que preconceitos não são mais tão frequentes entre as pessoas mais jovens, e que as desigualdades sociais estão mais amenas, “quando ouço essas coisas fico pensando nas meninas que cresceram comigo, assim como eu, a maioria são negras, muitas nem concluíram o ensino fundamental, já são donas de casa e criam filhos”. A jovem morou a maior parte da vida em um bairro da periferia de Salvador, conhecido pela violência e tráfico de drogas, é uma das poucas pessoas de sua família a cursar ensino superior, e a primeira a entrar em uma universidade pública. F. diz que apesar de se incomodar com a “nova alienação” comum a sua juventude, entende que opiniões (para serem engajadas ou não) sofrem interferência direta nas vivências individuais, e tenta discutir assuntos como racismo, machismo e desigualdades nos meios sociais que frequenta.

E por aí, o que vocês acham dessa nossa juventude pós-moderna?

sábado, 21 de agosto de 2010

EVENTO NO CAHL

Núcleo de Negras e Negros estudantes do CAHL

Apresenta:

A negação do Brasil

filme de Joel Zito

O Núcleo de Negr@s do CAHL busca a partir deste filme de Joel Zito, um dos principais cineastas negros da contemporaneidade, levantar questões sobre a representação do negr@ nas telenovelas brasileiras da década de 70 e adentrar com as discussões na cinematografia brasileira.

Data: 10 / 09 (sexta-feira )

Horário : 19h


"Ser negro não é ser neutro. Mobilize-se!"

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O mito dos poetas

Por Alane Reis
Sobre homens, anjos e poetas - Um pouco de poesia pra não perder a essência.


Eu nunca entendi os poetas
Nunca entendi o universo de suas mentes
Suas origens sempre me foram incertas
E normais não são nem de maneira aparente
...
Artistas das palavras
Usam a poesia como arma e escudo
E parecem viver num mundo recluso
De pintores dos sonhos
.
A verdade é que eu sempre amei os poetas
Por isso levo a vida a imitá-los com meus versos campengas
...
Nas minhas veias corre o sangue rimado
Metrificado... Sintonizado
Ou em versos sem lógica e nenhuma sintonia
.
Ainda assim eu não entendia os poetas
E reparando minha agonia
Um arcanjo amigo fugiu a terra pra me explicar:
-
Deus quando cria os homens
Dá -lhes almas humanas
Aos anjos, almas angelicais
Nos dias mais felizes
Ele põe nos homens almas de anjos
Dando a humanos o dom de se tornarem imortais
.
O meu amigo dos céus ainda me falou
Que num dia de mau humor o senhor me criou
Colocou uma alma humana qualquer em mim
Mas eu não me conformei
E na hora de descer pra terra eu fugi
.
Fui ao baú de Deus e roubei o poder de falar e tocar os anjos
Só que o senhor descobriu, porém nem me puniu
Me jogou de qualquer jeito no mundo
Porque sabia que eu não iria muito longe
.
Aqui na terra, peguei parte da minha alma humana e joguei fora
E desde criança, vou até os anjos e peço pedacinhos de suas almas
Junto a alma que me resta
E dessa forma, tento me fazer poeta.

sábado, 7 de agosto de 2010

O príncipe da minha vida

Por Alane Reis
Sobre Crianças, Pessoas Grandes, Coisas Importantes, e Outras Nem Tanto.


A história de hoje fala de um príncipe encantado e uma paixão de criança, mas não se enganem, não tem nada a ver com amores românticos e donzelas indefesas. É o seguinte, com cerca de 8 anos de idade meu pai me apresentou o Pequeno Príncipe, ainda me lembro como se fosse ontem o dia que o conheci, um menino que tinha mais ou menos a minha idade, adorava pores do sol, morava em um planeta um pouco maior que uma casa, tinha uma rosa como melhor amiga, pegava carona em estrelas, e jamais desistia de uma pergunta uma vez que a fizera.

Aos 8 anos de idade li pela primeira vez o livro que viria a ser o meu preferido na vida inteira, e adorei as histórias do principezinho, cresci, e o velho livro ficou guardado em meio aos outros infantis na estante, até que aos 14 anos resolvi me desfazer das leituras de outrora, doar a novas crianças, e quando eu arrumava os papéis velhos, em meio a mofos e ácaros ele ressurge na minha vida com cabelos amarelos, voando ao vento, como quem desce de uma estrela, e de repente me traz todo o encantamento da infância. Após minha segunda leitura virei fã da obra, com o olhar um pouco mais aguçado percebi o tamanho da profundidade eningmática e metafórica que cercava cada mensagem. De lá pra cá, devo ter lido pelo menos mais umas 6 vezes.

Viajando um pouco no contexto histórico: A obra foi escrita em 1943, por Antonie Saint Exupery, jornalista, escritor e piloto francês que trabalhou na segunda guerra mundial. Exupery escreveu o Pequeno Príncipe durante seu exílio nos Estados Unidos, e o livro foge a regra de tudo antes publicado por ele, que escrevia essencialmente de aviação e guerras. As aventuras do principezinho falam de amor, amizade, pureza de espírito, talvez por isso seja mais bem aceito pelas crianças, mas sem sombra de dúvidas é ideal para todas idades, costumo dizer que não confio em quem nunca o tenha lido, e que ninguém no mundo poderia morrer sem o ter conhecido. Falando em morte, a de Exupery chegou um ano após a publicação da obra, o seu avião levou um tiro em uma missão de guerra, mas a tempos já especulavam - se boatos que o piloto havia enlouquecido, talvez pelas barbáries que vira durante a profissão, o fato é que ele morreu acreditando que um dia, no meio do deserto do Saara conhecera o Pequeno Príncipe.

Um dia perguntei a um amigo e uma amiga se eles já haviam lido a obra, ele me respondeu "Não, eu não tive infância Alane, (risos)" e ela "Não, me ocupo com leituras importantes, não gosto de contos infantis, e no momento eu estou lendo O PRÍNCIPE, de Maquiavel, conhece?". As duas respostas me deixaram profundamente decepcionadas, a primeira me mostra que Exupery estava certo quando dizia que apenas as crianças se ocupam com coisas realmente relevantes, e a segunda, é a resposta que se espera de uma "pessoa grande", por que o Príncipe de Maquiavel (que infelizmente eu conheço pelo fato de também ter me tornando uma "pessoa grande") seria mais importante que o de Exupery? Porque ele ensina como governar e se manter no poder manipulando e explorando as grandes massas? Ou por ele ter sido (segundo reza a lenda) o livro de cabeceira do homem mais corrupto, saguinário, e arbitrário da história da política baiana (SIM, FALO DE ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES). Que fique claro queridos leitores, que não desprezo a importância histórica e a genialidade de Maquiavel em sua obra, porém a minha realeza, assim como o Peter (Pan), é alguém que vai ser criança para sempre, e conta das suas histórias viajando pelos planetas, até parar na Terra, no meio do deserto do Saara e descobrir que alguns homens não são tão bons, mas a amizade ainda vale a pena quando se é "eternamente responsável por aquilo que cativas" mesmo "correndo o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar" e que coisas bonitas ainda existem quando "se ver com o coração" e percebe - se que "o essencial é invisível para os olhos".

O livro está disponível para leitura no seguinte site: http://www.mayrink.g12.br/pp.principe.htmrincipe.htm

Aconselho a todos, as crianças e principalmente as pessoas grandes. Depois disso verão que a imagem aí embaixo não se trata de um chapéu.
Mas sim de uma jibóia que engoliu um elefante.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Intervalos e borboletas


Por Alane Reis
Sobre Paradas Necessárias

Esse post vem a ser um pedido de desculpas a uns dois ou três leitores assíduos (amigos puxas saco, rsrs) que vieram fazer cobranças pelos dias que fiquei sem postar.
Meus queridos, perdoem - me, é que contra-tempos não escolhem dia e hora marcada, eles chegam revoltos, carregados de supremacia, nos pedem mudanças, por conta disso intervalos são necessários, no meu caso, um pit stop no meio da parada, há quem diga que seja pra reorganizar as ideias, eu prefiro mesmo é jogar fora e plantar ideias novas... Pois é, a minha mania de ter esperança, fico tranquila por saber que somos todos respeitadores de credos e crenças, e peço então que respeitem a minha religião, o AMOR, ela me faz ainda acreditar nas pessoas, por isso que correndo em meio a tempestade, eu parei pra conversar com as broboletas.