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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Biografia de um qualquer

Fotografia tirada no centro histórico de Salvador (Pelourinho) - Fotógrafo desconhecido.

Por Alane Reis.
Sobre a paisagem urbana.


Eu nasci culpado
Carrego minha culpa na pele
Negrinho, preto, pardo
Assim a mim eles se referem

Desde criança pago pelo meu crime
Que sem saber cometi no ventre
Na fala, no olhar, o ódio se exprime
Mas minha culpa não me é aparente

Filho do mundo e das ruas
A gente nasce sem escolhas
Realidade é servida crua
Sociedade cega ou caolha

Ninguém conhece a minha cara
Pois estou em vários rostos
Nem ouve a minha fala
Quem está do lado oposto

- Moleque, pivete, delinquente
- Ladrãzinho, tão novo já descrente!

É menino, menina, homem e mulher
Animal? Vegetal? Gente não é!

BRASIL - UM PAÍS DE TODOS!?
Pra mim não chegou...
Igualdade é piada,
E o filme é comédia ou terror?

Do outro lado
A fronteira é o vidro do carro
Seu doutor assiste calado
A madame finge nem ver
Um povo que nasceu condenado
E a punição é viver!

... O tempo passa...

Pivete já é adulto
Quem cresceu no terror
Não conhece o amor,
Não entende o perdão
E de arma na mão é capaz de tudo.

Trafica, rouba, mata

Agora seu doutor
Quem foi caça é caçador

PÁGINA POLICIAL:
É morto fulano de tal a queima roupa por um marginal.

Está cumprido o destino do menino
Que quando na rua franzino
Ninguém soube enxergar
Hoje, meliante assassino
Sociedade e justiça sabem julgar.

Um comentário:

carol_ods disse...

Poesia show de bola!